Por: Dra. Patrícia Sugino (CRM 150329 • RQE 111033)
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Cada pessoa tem características anatômicas únicas, determinadas tanto por fatores genéticos quanto por características adquiridas ao longo da vida. Por isso, a blefaroplastia é um procedimento que deve ser adaptado a cada paciente, desde que haja incômodo estético ou funcional e indicação médica. No caso das pálpebras asiáticas, existem particularidades adicionais que precisam ser consideradas para garantir um resultado harmonioso e natural, respeitando suas características específicas.
No post de hoje, vamos explorar o que torna a pálpebra asiática única e como essas diferenças influenciam a abordagem da blefaroplastia!
Se você assim como eu tem ascendência asiática, já deve ter passado pela experiência de ter algum pai ou mãe em sua família ansiosos para saber se o bebê desenvolverá a famosa “dobrinha” nas pálpebras. Talvez este pai ou mãe seja você. Mas afinal, por que há tanta expectativa pela dobrinha?
Bom, isso tem algumas explicações possíveis. Uma delas é que a órbita asiática é mais rasa que a caucasiana, conferindo um aspecto mais “flat” (sem profundidade) ao rosto. A falta da dobrinha contribui para essa planificação da face, e um rosto sem profundidade é um rosto pouco iluminado, sem contraste e pouco marcante - o que pode ser fonte de incômodo para muitas pessoas.
Segundo dados de um estudo conduzido em Houston, Texas, aproximadamente 50% da população asiática não possui o chamado sulco palpebral - a tão desejada dobrinha. Ainda segundo este estudo, a chamada cirurgia de ocidentalização das pálpebras é um dos procedimentos estéticos mais procurados por asiáticos em todo o mundo¹.
Além da ausência ou suavidade do sulco palpebral, outros fatores anatômicos que diferenciam a pálpebra asiática são:
1. Presença do epicanto: Uma dobra de pele que cobre o canto interno dos olhos, comum em populações asiáticas. O epicanto pode cobrir parte dos olhos, fazendo-os parecer menores do que realmente são.
2. Maior presença de gordura: A região palpebral pode apresentar uma camada de gordura mais espessa, que confere um aspecto mais cheio às pálpebras superiores e inferiores.
3. Pele palpebral mais espessa: A pele das pálpebras em indivíduos asiáticos tende a ser mais espessa e fibrosa, o que pode influenciar na técnica cirúrgica e no processo de cicatrização.
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Além das diferenças anatômicas, o público asiático também possui um processo cicatricial mais difícil e demorado. O pós-operatório da blefaroplastia em pacientes de origem asiática exige cuidados específicos devido às particularidades do processo cicatricial. A pele asiática tende a reter mais líquidos, resultando em um inchaço mais intenso e de resolução mais lenta em comparação a outros perfis de pacientes. Por isso, medidas como o uso de compressas frias, a restrição de atividades físicas intensas e a aplicação de produtos específicos para otimizar a cicatrização são fundamentais para uma recuperação mais tranquila. O Laser de CO₂ é um grande aliado nesse processo, pois além de reduzir o sangramento cirúrgico, também minimiza hematomas e inchaços, acelerando a recuperação. Por último, mas não menos importante, o comparecimento aos retornos agendados e o acompanhamento próximo com o cirurgião é essencial para garantir que tudo evolua da melhor maneira possível.
Uma das dúvidas mais frequentes que recebo dos meus pacientes asiáticos diz respeito à formação de quelóides após a blefaroplastia. Embora a pele asiática tenha maior predisposição à fibrose e cicatrização hipertrófica, a pele da pálpebra é a mais fina do corpo, o que reduz significativamente esse risco. Quando a cirurgia é bem planejada e realizada por um cirurgião experiente, a chance de cicatrizes aparentes ou queloides é mínima, proporcionando um resultado discreto e natural.
Claro que tudo isso precisa ser discutido durante a sua consulta, portanto se você tem histórico familiar de quelóide, não deixe de levar essa informação ao seu médico!
O essencial é escolher um profissional experiente, que tenha um portfólio consistente de casos, utilize técnicas atualizadas e inspire confiança. No caso das pálpebras asiáticas, é ainda mais importante contar com um cirurgião que compreenda suas particularidades anatômicas e saiba como adaptar a técnica para um resultado harmonioso e natural. O primeiro passo nessa jornada é agendar uma consulta para que o médico cirurgião avalie o seu caso e você possa esclarecer todas as suas dúvidas.
¹ Nguyen, M. Q., Hsu, P. W. & Dinh, T. A. Asian blepharoplasty. Seminars in plastic surgery 23, 185–197, https://doi.org/10.1055/s-0029-1224798 (2009). Disponível em: https://www.thieme-connect.de/products/ejournals/abstract/10.1055/s-0029-1224798
A Dra. Patrícia Sugino é médica oftalmologista com fellowship (especialização) e mestrado em Plástica Ocular, pós-graduada em Medicina Estética e já transformou mais de 5 mil olhares de homens e mulheres ao longo de mais de 10 anos de experiência profissional. Se você deseja saber mais sobre a blefaroplastia e entender se esse procedimento é o ideal para você, agende sua consulta com a Dra. Patrícia clicando no link abaixo!
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